janeiro 15, 2012

.prazer, denise.

(to be continued)

(...)
Um dia, sentada num bar eu escuto 'olha quem está aqui!!'.
E, quando avistei que era o lindo-loiro-dançante, para variar soltei minha gafe tradicional:
- Oie! Tudo bem?! Você por aqui também! E o teu primo, veio?
- Ah, ele esta no Guarujá - responde sério.
- Ah, ta. Mas... sozinho? - eu sendo muito indiscreta
- Não. está com o namorado.
(pausa)
Será que eu tinha ouvido errado? Será que eu já estava bêbada a ponto de distorcer as vozes alheias.
- A namorada dele tem casa lá? - perguntando um pouco confusa
- Não. Ele está com o namorado. Eles estão passeando por lá.
- Ah... - eu fingindo que tudo tava normal.
(momento para o sorrido forçado e o silêncio constragedor)
Para disfarçar todo aquele incomodo, fomos beber!!
Resumo da noite: meu sonho de consumo atendia agora por Denise e eu acabei aos abraços e beijos com o primo ainda hétero-lindo-loiro-dançante dele.

.3110.

E lá estava eu, em um lugar totalmente desconhecido, em todos os sentidos possíveis,imaginários e geográficos. Eu estava numa noite de Halloween, no meio de uma rave, com esmaltes azuis neons. Mas oka, vamos lá. Novidades são sempre bem vindas. Estávamos lá, com aquele gente toda colorida e frenética e dançante e louca, com toda aquela música alta, com aquela 'vibe' interminável, quando muito que por acaso eu vejo 'ele'. Lindo, loiro e dançante. Muito dançante. E lindo e loiro (eu já disse isso?) e com um sorriso ímpar. Uau, E lá fui eu:
- Oie! Tudo bem?! Você por aqui! O teu primo veio?
(???)
Como assim? o cara muito lindo, loiro e dançante ali na frente e eu perguntando do primo dele. Afe. Sou péssima com pessoas. Tá. Mas eu explico.

(voltando no tempo...)

Eu trabalhava numa loja em que vendia coisas bacanas. Na temporada eu fiquei amiga de um menino que ia na loja. Ele tinha cabelos coloridos,usava óculos, aparelho fixo (taras mortais) e tinha piercings estratégicos. Enfim. Como eu disse, eu fiquei amiga do menino.
Em algum desses shows da vida, o menino aparece para se despedir, pois o show tinha acabado e tals. E foi tipo: tchau e beijo. Tipo na boca. E tipo por horas. Depois disso, nunca mais nos encontramos. E nesse rolo, conheci o primo dele.

(agora voltando pro halloween...)

- Oie! Tudo bem?! Você por aqui! O teu primo veio?
- Poxa, nem. Ele nem curte isso aqui!!

Claro. Enfim. Nem eu curto. Daí voltei pros meus amigos.
Bom, a rave era numa ilha. E ilha é foda porque não tem para onde ir. Já era tarde e já estava frio. E eu e meus amigos estávamos mortos esperando o dia clarear para pegarmos a 'barca' de volta pro mundo dos normais. Foi nesse momento que o lindo-loiro-dançante sentou-se perto, tipo, quase em cima de mim, Eu não entendi muita coisa mas também não reclamei. E em seguida ele se deitou no meu colo. E depois foi dançar. E depois, voltou e se deitou e me beijou no rosto e foi dançar denovo. Eu eu já estava tonta com tanta informação e emoção junta. Daí ele veio e me beijou na boca. E eu fiquei muda. E assim foi o resto da madrugada: conversas,música alta, beijos.
Quando o dia amanheceu, pegamos a barca e nos despedimos. Sem pretensões, sem nada marcado.

Depois daquele dia, nunca mais nos vimos.

Até que, um dia, sentada num bar eu escuto 'olha quem está aqui!!'. E eu, para variar solto minha gafe tradicional:
- Oie! Tudo bem?! Você por aqui também! E o teu primo, veio?

(to be continued)

.um sonho só.

E eu achava que seria assim: eu iria com ele e a vida seria linda e perfeita. Não menos dura, mas perfeita para nós, porque tínhamos um ao outro e isso era só o que nos bastava. Assim eu pensava.
O tempo foi passando e eu vi que não era nada daquilo. Uma rotina normal nos trouxe inevitáveis defeitos antes nunca vistos. Eram discussões, diferenças, opiniões, modos, jeitos... Aprendemos a nos conhecer novamente. A confianção que tanto tínhamos e que preservamos com nossas ausências agora nos faltava mais do que nunca. Era tudo muito novo, rápido e intenso, dolorido, culposo. A vontade de desistir esteve ao meu lado em vários momentos. E acredito que com ele não foi diferente.
Diante do 'não quero compromisso sério com ninguém', me senti pequena e traída. Eu me sentia desperdiçando beijos e amor e sonhos e planos e dias com uma pessoa que não queria nada daquilo. Mas o erro foi meu. Eu o beijei de olhos fechados, sonhando por anos e esperando demais. Sonhei e desejei tudo sozinha. Hoje eu entendo. Entendo que aquela não era a hora, que éramos diferentes, que tínhamos perspectivas diferentes. Hoje, eu não o culpo mais.
Mas para tudo há um fim, e nós precisávamos do nosso.Antes de voltar, precisaríamos terminar aquela relação para iniciarmos novos dias em nossas vidas. E naquele momento da partida, o sentimento foi mútuo.As lágrimas, a dor, o alívio. Ele tomou as primeiras palavras e eu o acompanhei. Achamos melhor terminar enquanto ainda éramos cumplices um do outr, enquanto havia compreensão e amizade, e tentar eternizar aquele momento. Nós não merecíamos um final mais triste ainda, não depois de tudo o que vivemos. E assim foi aceito, por nós dois.

.nós dois.

.true.

começou como brincadeira. invetamos que éramos namorados pare entrarmos juntos num show. entramos de mãos dadas e saímos de madrugada, entre abraços e beijos. foi gostoso, natural e despretencioso. brincadeira mesmo. mas dia seguinte, a gente queria saber aonde tudo aquilo ia dar. e deu e acabou 04 meses depois. nesse tempo fomos felizes juntos. enfrentamos situações difíceis e um fim, sem deixar que isso mudasse nossa amizade. hoje, anos depois, cada um com sua vida, somos ainda muito amigos e cumplices, e carregamos um carinho e respeito de irmãos.
(...)
tempos mais tarde, uma amiga que conheci por ele, me disse como se tornaram amigos. ela disse que eles viajaram juntos e ele era 'muito foda'. ela disse que ele mostrou a ela uma tatuagem que ele tinha na perna e disse também que a garota que ele gostava havia feito uma também, só que menor e que ele sonhava em se casar com ela.

um silêncio, um sorriso de canto de boca e uma cara de desentendida.

(...)

.mulher fruta/legume.

uma pêra. eu me olho no espelho e vejo uma pêra. sim, verdade. sou praticamente uma pêra.
espere! antes fosse... estou olhando direito e... não, sou um chuchu. sim, sem dúvida um chuchu. e eles são totalmente diferentes da pêras. as pêras são consistentes e têm formas e curvas definidas. chuchus são feios e estranhos. são mais gordos e tortos por todos os lados. e têm gomos, ou algo que lembre gomos.agora quero morrer. agora que sou um chuchu, eu quero morrer. quero morrer e reencarnar num pepino, numa cenoura ou até mesmo num palmito jussara. porque chuchu, não tá dando mais.

.rascunho IV.

.olhando oara trás, o que você ve? Não só ontem, mas em todos esses anos?

(...)

Eu vejo lindas pessoas e um carinho guardado aqui comigo.

Dizem quem as pessoas que passam por nossas vidas levam um pouco de nós e deixam um pouco de si.

As vezes me pego pensando se as pessoas ainda guardam algo meu, o que seria e sobre o quê pensam. E quando penso nisso, me pego apreenssiva, com receio de ter causado alguma decepção.

Penso também em todas as vezes em que eu disse não e em todas as vezes em que eu não disse nada.

Talvez, se tivesse feito diferente, se tivesse falado e e não tivesse esquecido, talvez, hoje não fosse assim.

'dia cansativo. eu, toda colorida, e ele de jeans e preto. deitados e olhando pro mesmo teto branco sem graça como se aquele fosse um universo de estrelas, ele pergunta 'você é carente'? aquela foi a pergunta mais doce que alguém já me fez. na forma de dizer, no tom de voz, no significado e no seu contexto. com um suspiro eu respondi: 'sim. muito'. naquele momento ele só me abraçou e ficamos calados. e assim a gente se entendia.
de olhos esverdeados, cabelos curtos e bagunçados, sorriso pequeno, tímido e abraço confortante. era tão fácil e inevitável gostar dele, quanto presumir seu fim. mas do fim não quero falar, embora fizesse parte dessa história - mal entendidos, mentiras,lágrimas, não é isso que quero guardar e lembrar. quero um pouco do carinho. quero te ver na rua e sorrir. e te ver sorrindo para mim também. quero que tudo termine bem, como agora.

.rascunhos III.

.era dia de semana. eu saía do trabalho e ia a um show. passei em um bar para beber com uns amigos. a noite estava tão agradável que estar ali era mais interessante do que gastar nossos poucos trocados com alguma possível banda. resolvemos todos então, ficar e 'beber'. as horas foram passando e quando me dei conta, ele apareceu. olho pro lado e lá estava ele, sorrindo, sendo simpático e conversando. e eu ficando vesga e suspirando e tentando raciocinar. 'disfarça e bebe mais, ele nunca vai te dar bola' era o que eu dizia a mim mesma. E como numa alucinação alcoólica, ele disse que queria me beijar. Eu, repentinamente, pedi-lhe então o tal beijo. Não sei aonde estava com a cabeça e nem o que ainda me pertencia naquela hora e naquele estado. Como numa reedição mal feita de imagens, lembro de beijá-lo, de cair no chão, de dormir e de acordar com ele,businando no meio da rua, , de eu pedir para ele parar o carro para que pudesse vomitar, de chegar até o portão de minha casa e da dor de cabeça do dia seguinte.
Daquela noite em diante, as coisas foram acontecendo: surpresas, encontros, uma primeira vez (duas... três...). Ele me trazia cervejas e me ajudava com as compras de madrugada. Mesmo não querendo, mesmo sabendo que era impossível, eu me apaixonei. Era ele, o meu primeiro amor de verdade. O primeiro amor e a primeira dor e a primeira grande perda. Nunca tinha provado tanto amor e tanta tristeza.

.ele pegou a minha mão, a beijou e a levou até seu coração.

.rascunhos II.

.há um céu separado para cada um de nós.

Esta foi a primeira frase que eu quis escrever depois de tempos. Quanto? Três anos depois, ou quase. Algum significado? Ainda nada em mente.

Escrever é uma válvula de escape. Era minha e eu quase esqueci.
Sinto falta, saudades, necessidade de quando escreva para mim mesma.
Escrever é meu tempo,meu espaço, minha vida ali, eternizada num papel, para que eu possa decidir quando e quanto vou querer 'esvaziar a lixeira'.

Daquela época? Poucas boas lembranças ficaram. Algumas foram esquecidas, outras ainda insistiram em existir e outras só precisam de mais tempo para lembrá-las ou esquecê-las de vez. Foi assim da última vez, lá, há três anos ou quase, . Ainda não consigo me decidir se me arrependo do que foi feito e do que aconteceu. Só sei que agora, pensando e lembrando bem, acho que tinha alguns motivos para querer esquecer tudo um pouco. Sim, nem só de sorrisos e amores e lindas histórias vivem os humanos. Como ele mesmo dizia : 'relações humanas são muito complicadas'.

.rascunhos.

(de algum ligar do passado)

Não foi planejado. Eram dois corpos numa cama que se procuraram, sem amor.
Não fizeram amor. Não houve amor. Nem sentimentos.
Dois corpos carentes e só. Automáticos.
Like a sex machine.
Nada de saudades, do ficar abraçado por horas. Nada do beijo na boca e do amo olhando no olho. Nada do volta pra mim. Nada de reações e emoções.
Ali, tudo começava a se acabar.